Esqueça tudo o que você já conhece sobre o Rei Arthur com As Brumas de Avalon

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Que tal conhecer essa história icônica do ponto de vista das mulheres que fazem tudo acontecer (com uma ressalva sombria sobre a autora do livro)?

Os primeiros registros sobre a lenda do Rei Arthur datam do século VI d.C., mas demorou até o herói ganhar as proporções místicas que sabemos de cor e salteado hoje, e que também aparecem no famoso livro As Brumas de Avalon.

Justamente por não ter uma versão oficial, a história varia muito de acordo com quem a conta, inclusive nos tempos modernos. Bora ver alguns exemplos!

Outras adaptações

Em 1963, por exemplo, a Disney lançou sua animação musical A Espada Era a Lei, relatando a infância mágica de Arthur. Ainda menino, ele se torna rei da Inglaterra graças aos ensinamentos do mago Merlin, que o ajudam a retirar a famosa espada Excalibur da rocha que a prendia.

Arthur e Excalibur no filme A Espada Era a Lei. (Imagem:Divulgação/Recreio)

Já em 2004, estreou a famosa adaptação cinematográfica com Clive Owen como Rei Arthur e Keira Knightley como Guinevere. O filme, também intitulado Rei Arthur, buscou dar um ar mais histórico à lenda, retratando Arthur como um general romano a serviço não só do Império, mas também da Igreja.

Durante uma última missão na Bretanha, o guerreiro se reconecta com as origens celtas de sua mãe e abandona Roma para liderar o povo bretão ao lado de sua mais nova esposa, Guinevere. Além disso, seus antigos soldados se juntam a ele, formando os conhecidos Cavaleiros da Távola Redonda, todos sempre guiados pelos conselhos de Merlin.

Da esquerda para a direita, Lancelot, Guinevere e Arthur no filme dirigido por Guy Ritchie. (Imagem:Divulgação/PrimeVideo)

Com exceção de Guinevere, várias mulheres que fazem parte da lenda simplesmente não aparecem nessas releituras ou têm um papel secundário. É o caso da mãe de Arthur e da sua “inimiga” - a bruxa Morgana, adaptada como Madame Min na animação da Disney.

Porém, essas são essenciais para explicar todo o desenvolvimento da lenda, como bem percebeu a escritora Marion Zimmer Bradley na década de 80.

O livro

Bradley sempre se encantou pela história do Rei Arthur, chegando até a viajar para a Bretanha para estudar melhor as versões antigas da lenda. No entanto, a incomodava o fato de que as mulheres da história sempre apareciam à sombra de Merlin, Arthur, Uther (seu pai) e até Lancelot (seu cavaleiro mais fiel).

A representação de Morgana como irmã, mas também amante e inimiga mortal de Arthur, igualmente a interessava.

Assim nasceram, em 1983, As Brumas de Avalon, em que o ponto de vista é o das personagens femininas.

Temos as três irmãs Igraine, Morgause e Viviane, que nascem na terra mística de Avalon e seguem por caminhos diferentes para assegurar a sobrevivência de suas raízes. Filha de Igraine e irmã de Arthur, Morgana vive desde jovem um conflito constante entre seus próprios desejos e a necessidade de proteger o legado de Avalon. Já Guinevere é a esposa de Arthur que representa todas as nuances da cristandade.

Com pinceladas históricas e até mesmo inspiração na religião Wicca, que mais se aparentaria às tradições celtas representadas no livro, As Brumas de Avalon vão muito além de um relato épico das batalhas do Rei Arthur.

São abordados temas como: o mito do Santo Graal, a dominação religiosa que a Igreja impôs às religiões pagãs no início da sua formação, a consequente subjugação social e sexual das mulheres, a própria sexualidade da perspectiva feminina e a homossexualidade.

Esse é um daqueles livros que você gostaria de nunca ter lido só para sentir novamente todas as emoções que os inúmeros plot twists te proporcionam.  

A autora

Em 2014, uma notícia chocou o mundo literário de ficção científica e fantasia: a filha de Marion Zimmer Bradley, Moira Greyland, acusou a mãe de molestá-la quando criança.

Infelizmente, a escritora faleceu antes da acusação, portanto nunca foi condenada. Já o pai de Moira e marido de Bradley, Walter Breen, foi preso por abuso sexual infantil e morreu na prisão. Segundo Moira, Bradley sabia de todos os crimes do marido e os acobertava.

Outros escritores, que se inspiraram nas Brumas de Avalon e em outros livros de ficção científica famosos de Bradley, ofereceram imediatamente seu apoio a Moira.

Dentre eles, Janni Lee Simner na época anunciou que doaria para uma instituição de caridade contra o abuso todos os royalties de suas histórias que se passavam em um dos universos criados por Bradley. Ela escreveu:

"MZB [Marion Zimmer Bradley] teve um papel enorme em muitas de nossas carreiras, e não é minha intenção negar isso, ou negar como muitos leitores foram profundamente tocados - e em alguns casos, salvos - pelo trabalho de MZB. Mas eu também não posso negar o dano causado pela criadora falha desse trabalho. O que eu posso fazer é garantir que ter escrito nos mundos dela sirva para lutar contra as mesmas feridas e abusos onde eles acontecem hoje."

Por isso, se quiser conhecer as Brumas de Avalon, não deixe de procurar o livro usado - ou livros, nas versões mais antigas em português, com quatro volumes publicados pela Editora Imago.

Edicões antigas de As Brumas de Avalon, da editora Imago. (Imagem:Dilvulgação/Seboterapia)

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