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# Comédia romântica questiona o amor contemporâneo
- URL: https://nerdweek.com.br/comedia-romantica-questiona-o-amor-contemporaneo/
- Published: 2024-07-23T14:48:27.000Z
- Updated: 2024-07-23T14:48:28.000Z
- Description: Espetáculo Esse Maldito Fecho-Eclair propõe uma visão cômica e questionadora sobre o amor e suas adversidades com enfoque no casamento.
- Author: Hugo Prudente
- Tags: Teatro, Cultura / Educação , 2024, Teatro Italia Bandeirantes, Dramaturgia

Com uma história envolvendo a complexidade das relações humanas, além de discutir a viabilidade da vida a dois, *Esse Maldito Fecho-Eclair* estreia no dia 24 de julho, quarta-feira, às 20h no **Teatro Itália Bandeirantes.** O texto inédito é do dramaturgo **Ed Anderson** e a direção de **Ricardo Grasson** e **Heitor Garcia**, já o elenco conta com os atores **Felipe Barros** e **Mayara Dornas**. A temporada segue até 5 de setembro, com sessões de quartas e quintas, às 20h.

A trama segue um casal em sua lua de mel após uma festa de casamento cheia de acontecimentos. O marido anseia pela primeira noite com sua esposa, enquanto ela procura aflita pelo seu batom. De repente, um fecho-éclair emperrado do vestido da noiva é gatilho para uma série de eventos inesperados e questões existenciais.

Esse desdobramento provoca um turbilhão de emoções colocando em xeque a ideia do "felizes para sempre", e questiona a veracidade do ideal romântico e a aceitação da impermanência do amor.

“O amor é um tema universal, desde Adão, Eva e a tal serpente disparadora de conflitos, esse sentimento nunca sai de moda. O que é cafona está relacionado a falta de escuta aos anseios da parceria proposta. Acredito na pulsão dos desejos e a sociedade pode e deve estar atenta a este acolhimento. Senão regredimos a tempos bicudos”, destaca Anderson.

A obra aborda assuntos como amor, casamento, filhos, traição, monogamia, responsabilidade afetiva, desejos sexuais e solidão. O espetáculo faz um panorama atual das relações monogâmicas e as complexas culpas carregadas pelos casais brasileiros.

“Uma peça que nos diverte e nos convida a pensar sobre como construímos nossas relações e o porquê de nos permitirmos chegar ao desgaste extremo. Por que tanta dificuldade em conversar e identificar o que sentimos? Não percebemos que muitas situações nos torna agressivos, ofensivos, irritados, tristes e estes estados nos adoecem”, constata Mayara.

## A Criação

A montagem do espetáculo partiu do desejo dos atores Felipe Barros e Mayara Dornas de mergulhar nas raízes e influências da latinidade. Uma conexão artística com os latino-americanos, já que a cultura brasileira também faz parte desse universo. E busca promover a difusão de importantes textos da dramaturgia brasileira com destaque para a relevância de autores nacionais.

“A escolha do texto partiu de uma vontade minha e da atriz Mayara Dornas de estarmos juntos no palco, após fazermos vários projetos no cinema e no podcast que apresentamos juntos, os *Dramáticos*. Decidimos buscar por um texto solar, divertido e que fosse para dois atores. Lemos milhares de textos juntos e nada bateu tão forte no nosso coração quanto o texto do Ed: *Esse Maldito Fecho-Éclair*”, relata Felipe.

A inspiração para o tema da peça veio de uma influência com nuances intensas de Almodóvar e Frida Kahlo. O lirismo, a poesia e a loucura em cena são inspirados pelo realismo do escritor Gabriel Garcia Marquez, onde em suas obras, ele integra a magia como um elemento essencial da vida.

A colaboração com **Ricardo Grasson**, conhecido por sua abordagem que integra elementos do realismo fantástico em suas produções teatrais, desempenhou um papel fundamental na concepção do espetáculo. Essa parceria permitiu a criação de uma obra que se destaca pela ampliação do espaço cênico, e estimula as sensações visuais e as partes cognitivas do público.

“O que nos instiga como diretores e encenadores é a possibilidade de, através da história deste casal, aparentemente normal, e da forma com que eles se relacionam, refletir as relações humanas e os relacionamentos amorosos. A presença no palco e o diálogo entre esses dois personagens é uma metáfora dos casais à nossa volta, de nós, dos nossos pais e avós. A nossa expectativa é que esse diálogo e as escolhas da encenação provoquem um pensamento novo, crítico e, acima de tudo, divertido. Em uma camada mais profunda, nos encontramos com um pensamento que visa nos religar com o ser humano, seus mistérios, fraquezas, seus delírios, suas sombras e a eterna busca do par perfeito”, conta Grasson.

Para Heitor Garcia, foi durante o trabalho de leitura do texto, aos poucos, que descobriu que existia uma personagem feminina nessa história, gritando. "Gritando para ser vista e gritando para o público os berros mais instigantes e cheios de profundidade sobre o distanciamento que existe entre um homem uma mulher, o fardo que ela carrega sozinha numa relação e a eterna insistente e talvez cega busca, ainda assim, pelo par, digo, pelo homem perfeito."

O espetáculo busca provocar, com muito humor, a estrutura tradicional da visão romântica sobre o que é o amor e sobre o que é se relacionar, especificamente, com um homem para uma mulher. "As escolhas da encenação se desdobram através desses corpos e desse tema tão rico, que é o “ato do casamento e suas multi firulas”, afinal há tanta referência, há tanta influência, que os caminhos são infinitos e escolhemos os mais divertidos para questionar algo tão importante para o ser humano hoje. Acredito que todos iremos nos identificar com as escolhas musicais, os trajes, as particularidades de um casal e as situações que todos nós já passamos num quarto de Ho ou Mo - tel. Venham jogar arroz até que a morte separe os infelizes para sempre", completa Garcia

## A Encenação

O texto indica um quarto de motel antigo, onde eles passam a lua de mel, ambientado nos anos 70, calorento e com a decoração duvidosa. Presente dado por um dos padrinhos aos noivos. O cafofo possui um quadro, que entra na história como um narrador da relação desse casal, ele se modifica e acompanha os pensamentos dessa relação durante a história, esse pano de fundo também é usado para memorar outros momentos da história do casal.

A trilha sonora vem com ritmos que falam de amor, de amor visceral, amor antigo e a peça é embalada por hits melódicos da música brega, movimento tão importante de fácil identificação e potente nos dias de hoje.

Os figurinos também contam histórias. "O título do nosso espetáculo traz um impedimento na abertura do fecho-éclair do vestido de sua noiva, o que nos abriu diversas possibilidades e discussões na construção da encenação. As escolhas seguem por um traje de casal clássico, com a referência da década e com a personalidade impressa de cada um. O figurino contribui para a narração dos sentimentos desse casal no decorrer da trama, é rasgar se de amor ou de ódio? É tirar a roupa ou não tirar? Quem tira de quem? Eu quero rasgar seu vestido mas é alugado!", completam os diretores.

## Sinopse

Um jovem casal suburbano e apaixonado assume pactos inusitados diante de um fecho-éclair enguiçado em plena lua de mel. Até onde eles conseguirão chegar antes do "até que a morte os separe"? Cantar com rouquidão todo o repertório de um karaokê, borrar a boca com batom barato ou devorar cartelas de antidepressivos?

## Sobre Mayara Dornas

Mayara Dornas é uma artista mineira nas artes cênicas e audiovisuais. Freelancer, formada pelo CEFAR/Palácio das Artes e licenciada pela UFMG, co-fundou o Coletivo Duo de Teatro. Destacou-se com o solo *Talvez Seja Amor* (2013), apresentado no Brasil e em Cuba, e indicada ao Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas. Em 2023, produz e apresenta o podcast Dramáticos, agora na segunda temporada.

## Sobre Felipe Barros

Felipe Barros, ator, produtor e escritor de São Paulo, começou no teatro na infância e desde então ampliou seu olhar artístico, tanto nas artes cênicas quanto no audiovisual. Com 20 anos de carreira em 2023, participou de diversas peças teatrais e foi indicado ao Prêmio FEMSA em 2012\. Além de atuar em séries como *Zé do Caixão* e *Rio Heroes*, estrelou em mais de 10 curtas-metragens e protagonizou o longa *Todos Nós 5 Milhões*. Atualmente, apresenta o podcast Dramáticos e está produzindo seu próximo espetáculo.

## Sobre Ricardo Grasson

Formado em Cinema com especialização em Artes Cênicas pela NUCT, na Itália, e no Brasil pelo CPT e Teatro Escola Célia Helena. Recebeu prêmios como Melhor Ator Protagonista no Festival de Marsala e Ator Revelação no Glob Festival de Roma. Dirigiu o documentário *10 Anos Fundação ITESP* e participou de cursos com renomados cineastas e diretores italianos.

## Sobre Heitor Garcia

Vencedor da XX exposição de pesquisa experimental em comunicação em 2013 na categoria comunicação organizacional. Iniciou seus estudos em teatro com José Renato Pamplona e Eliane Rosseto no Teatro dos Arcos. Contribuiu na direção dos espetáculos *Somos tão Joven*s, *O Ovo de Ouro*, O *Bem Amado*, *The Boys in the Band*, *Irineu* e a nova montagem de *A Mulher da Van*. Fundou a produtora NOSSO cultural há oito anos, produzindo mais de 40 espetáculos. No audiovisual é idealizador do programa Jade na sua casa, realizou diversas campanhas publicitárias e participou do clipe de Mariana Nolasco e Rael.

## Sobre Ed Anderson

Graduado em Artes Cênicas pela UFBA (1995) e em Turismo pela FTB (1991). Possui pós-graduação em Crítica de Cinema pela FAAP (2009) e mestrado em Ciências Sociais pela PUC-SP (2012). Atua principalmente em Arte-Educação, Dramaturgia, Teatro e Literatura.

## Ficha Técnica:

**Direção:** Ricardo Grasson. e Heitor Garcia. **Elenco:** Felipe Barros e Mayara Dornas. **Produção:** Lígia Fonseca. **Desenhos de Luz:** Cesar Pivetti. **Cenografia:** Marisa Bentivegna. **Figurino:**Rosangela Ribeiro. **Aderecista e assistente de figurino:** Neemias Villas Bôas **Visagismo:** Edgar Cardoso **Som:** Aghata. **Designer:** Carol Cevdar. **Fotos e Vídeos:** Rafael Duckur e Lanther Lincoln. **Assessoria de Imprensa:** Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. **Redes Sociais:** Jéssica Fioramonte. **Trafégo:** Cauê Baldo. **Realização:** Malisgüe Produções.

# Serviço:

***Esse Maldito Fecho-Eclair***  
**Teatro Itália**  
**Temporada:** de 24 de julho a 5 de setembro - Quartas e quintas, às 20h.  
**Ingresso:** R$ 80,00 e R$ 40,00 (meia entrada para estudantes, idosos, professores e classe artística)  
**Teatro Itália**  
Av. Ipiranga, 344 - República, São Paulo - SP